A repressão aos professores no Rio escancara a disputa pelo projeto de educação pública no Brasil

Assemb prof pm

Foto: Coletivo Carranca

O conflito entre professores e prefeitura do Rio envolve muito mais do que uma questão local. Observa-se atualmente a transmutação do autoritarismo com que o prefeito Paes sempre tratou a categoria de professores em violência discursiva e policial. Por quê? Não há uma única resposta para a questão, mas alguns fatores saltam aos olhos para aqueles que têm algum conhecimento do cenário da educação pública na sociedade brasileira na atualidade.

O primeiro ponto que destacaria se refere à postura das organizações Globo frente ao conflito. Sua cobertura jornalística apresentou informações, em várias ocasiões, sem o menor tratamento e rigor ético num sentido de estigmatizar a campanha dos professores e de defender a prefeitura. De um lado, apresentava dados distorcidos, entrevistas capciosas e editoriais que colocam os professores como dinossauros ignorantes, avermelhados e corporativistas; de outro defendiam o projeto de meritocracia, responsabilização e privatização que Paes e Costin implementam de maneira extremamente autoritária como a modernidade que pode salvar a educação do país. Trata-se de uma estratégia desonesta de desqualificar o discurso de todos aqueles (inclusive uma minoria de dinossauros avermelhados) que simplesmente descordam que o caminho que a prefeitura tem copiado do modelo americano seja o melhor para a nossa realidade – aliás, pesquisas mostram que não obteve melhora da qualidade nem por lá.

Também vale ressaltar que este é apenas um modelo estadunidense, que não é o único, muito menos a melhor via para se alcançar a universalização da qualidade da escola pública brasileira. A grande maioria dos países bem colocados nas provas internacionais não reza essa cartilha – a famosa Finlândia, primeira nestes testes, prega o princípio oposto. Talvez, este seja um bom modelo para as empresas, mas não necessariamente para a maioria da população que usufrui o serviço.

Esta cartilha vem sendo implementada com maior ou menor intensidade nas redes que cobrem as três principais cidades do país. Tanto nos “States”, quanto aqui, recebe grande apoio de grandes entidades empresariais, que em troca são presenteadas com uma série desonerações e verbas estatais para gerir redes, escolas, criar programas de capacitação de professores, projetos especiais para alunos com problemas, etc. Funcionam mais ou menos como certa lógica presente nas indústrias farmacêuticas que priorizam a venda de remédios que atacam os efeitos e o amenizam momentaneamente. Como as causas mais profundas persistem, garantem assim uma enorme reserva de mercado.

Pois bem, as Organizações Globo ocupam um papel central em uma destas organizações empresariais[1] que pretendem abocanhar cada vez mais verbas da educação pública, pois além da parte de divulgação das propostas, tem interesse direto na venda de produtos e serviços para o poder público. Como a maioria da população nem faz ideia desta discussão, as organizações de professores representam o grande entrave deste projeto de mercantilização da educação pública. Por isso a enorme campanha de desqualificação da classe. Sem corporativismos, é claro que dentro de uma categoria profissional enorme há professores mal preparados, radicalismos, mau-caratismos etc. – o que também ocorre entre advogados, médicos e engenheiros. O que vemos hoje é o mesmo que culpar exclusivamente os advogados pelos problemas da justiça brasileira – um absurdo total. Mas, uma diferença está no peso que se dá às opiniões das entidades que representam as duas categorias.

Como grande vitrine que é, a prefeitura do Rio vem fazendo absolutamente de tudo para passar uma imagem de êxito deste projeto de educação. Por exemplo, dá um golpe imoral para aumentar as notas na avaliação federal. Com o apoio de uma dessas fundações empresariais, criou turmas de aceleração para os alunos com maiores déficits de aprendizagem. Nessas turmas, o professor licenciado tem que dar todas as disciplinas do programa. Esses alunos com mais dificuldades são excluídos das turmas que fazem as avaliações nacionais e assim a nota da rede sobe e o prefeito faz propaganda de sua eficiente gestão. Alunos que deveriam ter atenção mais especializada são atendidos por um professor que não fora devidamente qualificado e são jogados as pressas para fora do sistema. Esse é um ótimo exemplo da lógica que guia o projeto de educação ao qual os professores do Rio e de tantas outras cidades do Brasil se contrapõem.

Outro exemplo do autoritarismo e da má fé da prefeitura está no debate sobre o plano de carreira. Os professores tinham saído da greve devido à promessa de estabelecimento de um grupo de trabalho para negociar o PCCS. Dias depois são surpreendidos com uma sórdida manobra em que o prefeito se encontra com os vereadores aliados (os mesmos que inviabilizaram a CPI dos ônibus) e encaminha uma proposta de plano com emendas que iriam à votação sem apreciação da categoria docente e da oposição legislativa. Como classificar este procedimento?

E pior, o PCCR encaminhado é na verdade a mais autoritária das formas de implemanteção do projeto da prefeitura. Oficializa a ilegalidade dos professores generalistas, restringe os ganhos reais aos 7% de professores 40h e retira os direitos dos demais. Em editorial, o Globo afirma: “há o correto interesse em estimular a jornada de 40 horas por semana, porque, em obediência a decreto municipal, o turno único estará em vigor em toda a rede até 2020 — considerado o melhor pelos pedagogos”. Fala o óbvio, distorce as intenções. Os professores sabem que este regime é o melhor para o sistema de ensino. Maquiavélico é se aproveitar de uma demanda gerada pelos docentes e retirar direitos da maioria para que estes sejam “forçados” a migrar de regime. Não é assim que deve ocorrer numa democracia – princípio que os governantes do Rio parecem desconhecer.

Cabe ressaltar aqui o papel da secretária Costin. Antes de assumir o cargo, trabalhou no Banco Mundial, em fundações empresariais para promover a “qualidade da educação” e foi a secretária de educação que implementou a mesma política em São Paulo. Em editorial da semana passada, o Globo disse:

“É preciso que a categoria de professores tenha uma visão mais ampla do que se passa hoje no Brasil — o que não serve de justificativa a baixas remunerações. Como o “bônus demográfico” — população jovem proporcionalmente maior —já está sendo resgatado, há um prazo fixo para o salto no desenvolvimento (mais 15 a 20 anos), a ser determinado pela instrução. Se a missão de se qualificar esta e a próxima geração não for cumprida, a ideia do “país do futuro” será passado”.

O que foi omitido é que desde os anos 1990, as políticas educacionais brasileiras vêm sendo predominantemente influenciadas pelas modas neoliberais enunciadas pelo Banco Mundial e pelos grupos empresariais internacionais – as quais os nossos adoram copiar. A política de educação que Paes e Costin implementam no Rio é só a última moda. Essas políticas vêm sendo questionadas internacionalmente por inúmeras pesquisas há 20 anos, sem apresentar ganhos concretos. Neste período, os professores tiveram pouca influência nas políticas de educação, ao contrário dos grupos empresariais e organizações internacionais. E, justamente, por ter essa visão mais ampla, os professores se levantam. Os professores do Rio foram os primeiros a se levantarem mais radicalmente contra esse tipo de política. As manobras rasteiras para aprovar o PCCS sem discussão democrática e a repressão violenta sobre os docentes indicam o que está em jogo.

Guilherme de Alcantara – Professor da rede pública.

 

Publicado em Uncategorized | 14 Comentários

Para além do corporativismo de O Globo: a resposta de um professor

assembleia Rio

Nesta segunda, 02/09/13, O Globo publicou sua opinião sobre a greve dos professores das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro. Como era de se esperar, criticou o movimento e o que chamou de corporativismo dos professores que são contra a meritocracia. Vale ressaltar que o jornal publicou tal opinião no mesmo dia em que o prefeito do Rio deu uma entrevista em um programa de TV e um desembargador classificou a greve como irregular, determinando que os professores voltassem ao trabalho em até 48 horas – santa coincidência.

A crítica do jornal é cheia de pressuposições, contradições e equívocos e ilustra bem qual é a sua proposta para a educação pública brasileira. O texto começa dizendo que a greve está “pautada, mais uma vez, por reivindicações salariais — ainda que outras questões, não econômicas, mas adjacentes à Educação, tenham, como sempre, encorpado a pauta de “lutas” da categoria”. Primeiramente, no caso da rede municipal, a luta se mantém apesar dos ganhos salariais já prometidos por Paes durante as negociações. O que é chamado de “questões adjacentes” pelos supostos jornalistas é considerado primordial para educadores e estudiosos: a prefeitura descumpre lei federal de 1/3 de carga horária para planejamento; condições de trabalho (salas superlotadas e falta de infraestrutura) e concepções de educação (contra a meritocracia e a mercantilização da educação pública).

Acabamos de sair de um momento onde as mobilizações nacionais clamavam por melhor educação. O salário dos profissionais da educação é um ponto chave para a concretização destas demandas. O rendimento inicial de um professor da rede municipal do Rio, uma das cidades mais caras do mundo, é quase 4 vezes menor do que o de um burocrata do judiciário e 20 vezes menor do que o dos juízes que declaram as greves de educadores ilegais. Em países como a França ou a Espanha, a relação de ganho inicial professor/juiz não passa de 1 para 3. Nesta situação, é normal que a principal pauta de reivindicação dos trabalhadores seja a salarial. O Globo esbanja hipocrisia no discurso que defende melhor educação, desde que com professores calados e mal pagos.

Na opinião do jornal esta greve “é um movimento que não desfaz os verdadeiros nós da Educação”, pois “os problemas do ensino público são mais abrangentes”. É óbvio! Este é um movimento dos trabalhadores da educação por melhores condições de vida e trabalho para uma categoria que, apesar de sua importância, é a mais mal paga do país. Não é uma proposta de revolução na educação. Se os professores não conseguem convencer certos políticos a pagá-los dignamente, a cumprir leis e acordos já sacramentados, quanto mais resolver “os verdadeiros nós da educação”. Este argumento, além de ingênuo, reproduz um ideal bastante difundido na sociedade brasileira de que o professor é um salvador, um herói que deve se sacrificar e resolver os problemas da sociedade por meio da idolatrada educação. Mudar o sistema de ensino e o valor dado à educação no país é uma atribuição de toda a sociedade e não de uma categoria de profissionais. E, se os governos, a Justiça e a mídia corporativa se opõem a todo e qualquer movimento dos profissionais de educação fica ainda mais difícil.

O Globo diz que alunos ficam “reféns do movimento” de um mês, quando, na verdade, os sequestradores são os sucessivos governos que não aplicam o mínimo constitucional em educação; que mantêm escolas funcionando como depósitos de gente; que desviam verbas públicas de educação para contratar empresas e instituições privadas como a Fundação Roberto Marinho, a fim de que estas implementem seus projetos de concepções pedagógicas e qualidade duvidosos.

Por fim, chamar a crítica à meritocracia de corporativismo é sinal de uma miopia grave ou uma estratégia discursiva canalha de persuasão. Em todo o mundo, uma série de estudos demonstra o equívoco que representa a meritocracia na escola pública. Esta proposta se associa a um movimento de culpabilização do professor que legitima a contratação de consultorias a peso de ouro que prometem resolver o problema da educação e nunca o fazem. Não se trata de corporativismo, mas de uma outra concepção de mundo e de educação. A crítica à meritocracia considera que, acima de tudo, crianças não são produtos e que o conhecimento é construído e processual. Logo, qualquer iniciativa que classifique alunos e professores por meio de provas externas vai auferir apenas o desempenho pontual com base em certos critérios. Não avalia o desenvolvimento do ensino e do aprendizado, ou seja, o que alunos e professores construíram de conhecimento no processo. Como os alunos partem de patamares diferentes e é impossível medir de quanto foi a contribuição de um professor ou de outro no desempenho do aluno, a medição e a remuneração maior ou menor de profissionais com base em seus resultados, propostas pelas políticas meritocráticas, é extremamente injusta. Logo, ao invés de corporativismo, trata-se de mais uma luta contra as inúmeras injustiças por que passam os professores na sociedade brasileira.

Link para o texto de O Globo: http://oglobo.globo.com/opiniao/alem-do-corporativismo-9766376

Link para a resposta da direção do sindicato: http://oglobo.globo.com/opiniao/fraude-na-educacao-9766388

Guilherme de Alcantara – Professor de geografia da rede pública.

Publicado em Uncategorized | 11 Comentários

Jabor e o jornalismo bufão

O que a Globo faz é jornalismo ou teatro? Nenhum canal internacional de notícias sério e renomado tem um “articulista” (melhor nome não há!) fazendo anedotas reducionistas e debochadas sobre temas sérios da sociedade. Isso é uma forma mesquinha que o canal utiliza para impor a sua mentalidade. Um editorial seria mais digno e honesto, seja com seus seguidores, seja com seus opositores. Lembra aquelas cenas onde o bobo da corte (também conhecido como bufão), funcionário da monarquia que vive de alegrar o rei, precisa fazer piada desqualificando mesquinhamente o oponente e bajulando o monarca. Para ele, a legitimidade das manifestações é zero. Para qualquer pensamento com o mínimo de criticidade, seu jornalismo é bufão. Afinal, só alguém que deve ganhar mais de 100 mil por mês sabe o quanto R$0,20 não fazem diferença pra quem ganha R$678.

Publicado em Uncategorized | Marcado com , , | Deixe um comentário

Transporte para um Brasil menos injusto

    Foto retirada da página de Daniel Carvalho (http://www.facebook.com/danielguitarra)

Foto retirada da página de Daniel Carvalho (http://www.facebook.com/danielguitarra)

Passeata passe livreVemos hoje uma verdadeira insurgência protagonizada pela causa do transporte público. Para a grande mídia em geral e para os pensamentos conservadores não passam de jovens arruaceiros que merecem repressão da polícia. Pode-se mais uma vez perder a oportunidade de debate daquilo que está no âmago da questão: a exploração e o desserviço prestado aos cidadãos/trabalhadores pelos sistemas de transporte Brasil a fora. Os mesmos que defendem o porrete contra os manifestantes viajam a Londres e a Paris e voltam elogiando a qualidade do transporte urbano de lá. Mas se esquecem de uma diferença fundamental para o nosso: naquelas cidades o transporte é público e estatal, voltado para promover a mobilidade dos cidadãos/trabalhadores com vistas a gerar mais mobilidade, eficiência produtiva e, porque não, bem estar. Além da incontestável maior eficiência e qualidade, o transporte de lá é mais acessível. Em Paris, um bilhete unitário custa 1,70 euro (R$ 4,85) e um carnê com 10 sai por 13,30 euros (R$ 37,90). Mas se o cidadão paga o passe mensal, pode andar a vontade de ônibus, metrôs e trens por 65,10 euros (185,53) – http://www.ratp.fr/fr/ratp/c_20586/tous-les-titres-et-tarifs/. Aqui no Rio de Janeiro, se o trabalhador pagar 60 passagens de ônibus por mês gastará 177 reais (a R$2,95) e de metrô 210 reais (a R$3,50). Nosso salário mínimo é de 678 reais, enquanto o francês chegou a R$ 4063,15 (http://expresso.sapo.pt/salario-minimo-em-franca-sobe-para-142567-euros=f735665). As empresas de ônibus, trem e metrô cariocas introduziram os cartões eletrônicos nos quais se pode carregar o quanto quiser de dinheiro que o desconto é zero, pois isso serve na realidade para reduzir custos operacionais. E é aí que está a essência do problema: o transporte público é privado e voltado para a exploração do usuário. E como se constitui cada vez mais um monopólio, devido à repressão ao transporte alternativo (que no Rio ainda tem o agravante de ser controlado pelo poder paralelo), as empresas agem como querem. A situação piora, quando o prefeito eleito é financiado por essas empresas e frauda um edital de concessão para mantê-las com o monopólio que já detêm a mais de 40 anos (http://oglobo.globo.com/rio/apenas-quatro-empresarios-concentram-um-terco-do-transporte-rodoviario-no-rio-8417193). Pelo menos há 20 anos, todos os prefeitos eleitos recebem contribuições de empresas de ônibus na cidade. O dinheiro doado pelas empresas é retornado em forma de generosos aumentos acima da inflação. Ou seja, neste esquemão, os trabalhadores financiam a campanha de certos grupos políticos pagando o transporte público-privado. Essa cumplicidade, que não é exclusividade carioca, acaba com qualquer isenção do poder público em sua tarefa de regulação do sistema. Milhões de cidadãos/trabalhadores passam de 4 a 6h por dia em deslocamentos e ainda são taxados pelo discurso hegemônico positivista como ineficientes etc. Assim, a luta pela redução do custo da passagem representa algo muito maior. É por uma necessidade imediata, mas contesta e desestabiliza uma ordem econômica e política extremamente exploratória, que envolve a cooptação do poder público pelo setor privado e mostra que o problema é algo a mais do que “culpa dos políticos”. Quem sabe parando as ruas a luta pode desembocar em um debate que avance para o questionamento desta lógica injusta de estruturação do transporte público?

Guilherme de Alcantara

Publicado em Uncategorized | Marcado com , , , | Deixe um comentário

O Maraca e a nossa violência estrutural

foto de Ricardo Azoury: Torcedora do Flamengo comemora, na geral do Maracanã, o título de Campeã Brasileira 1980

foto de Ricardo Azoury: Torcedora do Flamengo comemora, na geral do Maracanã, o título de Campeã Brasileira 1980

Hoje, durante a transmissão do Globo Esporte um jornalista classificou aqueles descontentes com o evento da reabertura do Maracanã de saudosistas. Este seria um daqueles termos que servem pra desqualificar a grande diversidade de motivações que fazem alguém como eu ficar desgostoso com a situação do estádio. O que esta fala teria a ver com a foto acima que passou por mim no Facebook minutos depois?
Quem esteve nas arquibancadas e na geral do Maraca até meados dos anos 1990 pode se lembrar que aquele estádio era o principal espaço de congregação social da cidade. Mais insurgente do que a praia, que além da cada vez menos sutil territorialização, não possui a mesma dimensão de interação dos corpos. Por mais que uns se recusassem a ir de geral com argumentos preconceituosos, por mais que esses preconceitos fossem verbalizados nas canções de torcidas, na hora do gol, abraçava-se quem estivesse do lado, não importava a classe, não importava a cor.
O fechamento da geral foi o primeiro passo para a elitização – ou esterilização – do Maraca. Tanto lá, quanto agora, parte considerável da elite carioca, sempre bem representada pelo governante da vez e pela mídia hegemônica, utilizou o argumento de forças superiores (mandos da divina FIFA) como a justificativa para implementar o mesmo processo segregacionista que se observa em toda a cidade na última década, que vê o preço da terra disparar, o metro ir somente para a Barra, as UPPs criarem estados de exceção nas áreas ocupadas etc.
O argumento de alguns é de que isso é inevitável, é um processo mundial. Na verdade, pode-se dizer que o mesmo aconteceu na Inglaterra. Claro, na Inglaterra de Thatcher, exemplo mor de repressão das classes populares numa democracia europeia. Este modelo nos inspira. Pude assistir ao vivo ao jogo Arsenal VS Bayern pela última Copa dos Campões 2013 no Emirates Stadion. Os “verdadeiros” (ou à moda antiga) torcedores do Arsenal se diluíam nas dezenas de milhares de estranhos: turistas, curiosos, pessoas que ganhavam ingressos distribuídos por empresas etc. Os dois mil torcedores do Bayern, que assistiam ao jogo em pé, cantando, pulando e com tambores, fizeram mais barulho que os sessenta mil do Arsenal durante todo o jogo. Realmente, parecia que para boa parte das pessoas o resultado do jogo era o menos importante. Se aquilo fosse um balé, um show da Beyoncé ou uma corrida de cavalos daria no mesmo. Parece ser essa a lógica que querem importar.
Na própria Globo, defensora dos fortes e opressores nesta contenda, ouvi que o Borussia Dortmund, segundo clube mais rico da Alemanha, tem em seu estádio um setor com cadeiras móveis. Em jogos do campeonato alemão, estas são retiradas para que os torcedores “das antigas”, do povão, possam assistir aos jogos como antigamente, em pé, pulando, cantando, com bandeiras, faixas e bumbos. Trata-se de uma proposta que prima pelo convívio e não pela eliminação violenta do outro. Este é só um exemplo de como soluções que valorizem a cultura local e a diversidade seriam possíveis aqui no Rio de Janeiro.
Mas, voltando à nossa realidade, no caso do novo Maraca (ou seria Wembley?) o que é mais marcante não é o fato de se gastar 1,2 bilhão de reais para fazer um estádio como qualquer outro, demonstrando enorme falta de autenticidade; nem o fato de dá-lo de presente para a iniciativa privada sem alcançar 20% de retorno para o Estado, o que aponta a falta de caráter dos envolvidos; o que mais dói é ver que a nossa sociedade mantém padrões que duram séculos, sob os quais boa parte da nossa elite tem total menosprezo pela população e pela cultura popular. Não importa se o modo de torcer no Maracanã era irreverente, plural e único no mundo, verdadeiro patrimônio cultural da nossa cidade. Não houve a menor preocupação em preservar qualquer resquício. E mesmo se alguém tivesse tido a visionária ideia de tombar o antigo modo de torcer como patrimônio imaterial da humanidade, parece que não importaria. Contra o saudosismo, o autoritarismo vestido de “progresso”. Pois como de costume, a parte interessada da nossa elite arranjaria um jeitinho de burlar leis em prol da manutenção de seu projeto segregacionaista e violento de poder.

Guilherme de Alcantara

Publicado em Uncategorized | Marcado com , | 5 Comentários

Aumento de passagem é financiamento público de campanha

Que coincidência o prefeito liberar um aumento de 10% nas passagens em ano de eleição! Há quatro anos atrás essas empresas financiaram a maioria dos candidatos que tiveram alguma projeção: Paes, Gabeira, Crivela etc. Ao longo de 2012 os usuários do sistema de ônibus vão pagar a campanha de diversos partidos políticos!

O melhor exemplo do grande acordo de cavalheiros foi o processo de licitação das empresas de ônibus. Sem demonstrarem a devida competência nos últimos 30 anos, as empresas cariocas foram agraciadas com mais 20 aninhos de exploração dos usuários.

http://oglobo.globo.com/rio/consorcios-cariocas-sao-os-vencedores-da-licitacao-dos-onibus-do-rio-2958389

Muitos diriam que só nos resta protestar – e esse é um caminho.

http://autogestao.org/?ai1ec_event=contra-o-aumento-da-passagem-no-rio-de-janeiro&instance_id=26

Mas não seria o caso de iniciarmos uma campanha contra o voto em políticos financiados por esta máfia?

Abaixo seguem mais dois exemplos das práticas de “financiamento público de campanha” do atual prefeito:

http://www.jb.com.br/informe-jb/noticias/2011/11/21/doadora-da-campanha-de-paes-ganha-contrato-de-r-16-milhoes-sem-licitacao/

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/70215_PAES+CANCELA+COMPRA+DE+TERRENO+DE+DOADOR+DE+CAMPANHA

 

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

Cabeças vão rolar…

 A idéia é que papos e cabeças rolem, se enrolem e desenrolem! A guilhotina aqui é subversiva. É pra degolar poderosos do antigo e do novo regime! Reflexões, denúncias e amenidades subversivas são benvindas.

Publicado em Uncategorized | 1 Comentário